sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Clima pesado

Ela vagueia por ruas que imagina no quarto - sentada de olhos fechados. - O dia acaba sempre naquele canto cheio de almofadas azuis - que não são azuis. Percebeu que deixaram de existir pessoas à sua volta que lhe faziam sentir bem ou sentir que era alguém. Consegiu ser o desgosto de alguém, o que para ela fez pensar que não sabe ser outra coisa, por tudo o que escolheu seguir.
É falso, a vida é falsa, o amor é falso. A interpretação da vida começa a ser monstruosa, nada do que ela estava à espera. Pensa na carta que recebeu para sair de casa e, se saisse agora viveria no carro e morreria à fome. E não teria como companhia a cadelinha de nome Lucy. A decisão de ir em frente fica pendente ela prefere deitar num sono mais que profundo. Acordar? Não, ela não querer. Quer que lhe deixem dormir. Algo que já não faz há meses.

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