sábado, 29 de maio de 2010

casa 1


Há um ano estivemos lá. Casa com o número um ao lado da porta. Pisámos telhas, azuleiros e tijolos.
Atirámos ovos contra a parede. Ficáram umas marcas -a nossa presença - prometemos um dia lá voltar e fazer o mesmo de maneira diferente. E não voltámos.

Hoje a casa da quinta foi abaixo. Desmorenou-se.

Lembrei. Voltei a lembrar. E lembrei.

Desmorenaste do meu mundo também. E eu, não queria. Tento agora sobreviver, alimentando-me de memórias. Já não sei respirar de outra forma. Regresso a sonhar acordada, a pensar demais. Sonho e sei -que nada se realizará - nada depende só de mim.

Cheguei tarde, e foste rápido demais.