Deixaste-me entrar naquela casa sozinha. Tiveste medo e ficaste cá fora. Eu tinha de entrar, alguma coisa me chamava. Quando entrei, senti uma agonia a escorrer nas parades. Ouvi portas que não paravam de ranger, o que era estranho, não existiam portas nem janelas, tecto ou telhado. Uma casa do passado. Uma casa abandonada de sentimentos. Intoxicada de pensamentos. Terei algum atrofio por ouvir o que outros não ouvem? Terei algum atrofio por ver os que os outros não vêem? Será que vivo demais cada momento, cada pormenor? Será mau não querer ir embora? És igual a mim? OH! Farta de ver isto e aquilo, farta de falar com os olhos e que ninguém percebe. Aquela casa pode ser o meu passado. Um passado que nunca tive, nunca existiu. Mas pode ser meu, teu ou dele. Já nada disto faz sentido. Perdi o meu sentido de orientação. Mas não completamente perdida. Aquela casa faz-me distorcer a realidade.
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